
"Lembras-te daquela “Morena”das casas branquinhas,
onde o Sol se empinou, naquela noite de Abril?
Como cem girândolas estoiravam as “Trovas Antigas” ,
cantadas de boca em boca, em que o “Menino d’Oiro”
ia dizendo duma forma gentil, calma, para que todos
ouvissem, a “Grândola” adormecida, mas sempre acordada
sob aquela “Canção de Embalar” !?
Lembras-te!?
Lembras-te daquela “Morena” que fez despertar do sono
aqueles que, adormecidos, pareciam estar lá para que fosse
ouvida, “Canta Camarada” no “Coro dos Tribunais”, para
Que alguém valente, corajoso, desfraldasse a sua alma à
glória de um povo, para que fosse vista toda a sua obra
de olhos bem abertos, “A Formiga do Carreiro“!?
Lembras-te!?
Lembras-te das estrofes daquela “Morena” em que dizias:
“Vai Maria, Vai” vai, e “ Trás outro Amigo, também”,
para que todos, mas todos, dissessem: “Vejam bem” a dor
da mordaça, por causa dos que nos censuravam, tudo,
sem que fossemos ouvidos e, por isso, “A morte saiu à rua”
quando entendeu!?
Lembras-te!?
Obviamente que, se fosse vivo, lembrar-te-ias!
Nós, aqui presente, te lembramos emocionados.
E lembramos a forma meiga como as cantavas,
transmitindo, abnegadamente as mensagens dum Povo.
por tudo, Amigo. Amigo de longa data, Amigo eterno,
te agradecemos tudo o que nos cantaste,
escreveste e sofreste!
Ah! Zeca, ainda vai ficando aquela: “ O que faz falta…”
Lembras-te?
A malta… não te esqueceu.
A malta, não te esqueceu!
A malta, não te esqueceu!
A malta está viva! Não morreu!"
( Ao Zeca Afonso )
joellira


