quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Campanhas de "Solidariedade"

Nunca antes se viu tanta campanha de solidariedade, sim, porque hoje é politicamente incorrecto dizer-se de "caridade".
Mas como se porcessam essas campanhas? Quem está por de trás desses projectos tão magnánimos?
A bem da verdade, não se sabe muito bem de onde ou de quem surgem estas ideias ou conceitos...
Mas sabe-se que depois se terem um nome e causa "bem definidos" muita gente dá a cara para apoiar ou promover as ditas campanhas.
Depois alguém faz anúncios muito originais onde nos dizem para onde revertem os "donativos", onde se pode encontrar os quiosques para se fazer a contribuição e claro, quem são os parceiros destas iniciativas.
A seguir entramos em qualquer site de emprego e lá se encontramos as ofertas de emprego pedindo promotoras para integrar projectos sociais de caris nacional ou algo do género
Falam em boa remoneração e até de comissões conforme o número de donativos que conseguirmos angariar.
Depois vamos a uma entrevista de selecção, damos o nosso melhor para conseguir ficar com o trabalho.
Explicam-nos muito bem para o que vamos e nós queremos acreditar que tudo aquilo é para uma causa nobre, para além de irmos finalmente arranjar um emprego, sim, porque está difícil trabalhar aqui neste país à beira-mar plantado.
Quando finalmente vamos apara o primeiro dia de trabalho, lá está a promotora chefe a explicar-nos tudo muito bem, mais uma vez.
Temos um standzinho de cartão com umas moldurinhas ou bonequinhos que temos que conseguir vender pela "simbólica quantia de 5€". (Lembrem-se que estes 5€ são o equivalente a 1000$00 na moeda antiga, e que com estes mesmos 5€ pode-se levar para casa pão fresco, um pacote de leite, algusn legumes e fruta e talvez uns iogurtes dos mais baratos, comida para mais ou menos duas refeições...)
Esse stand onde vamos incentivar as pessoa a oferecerem uma contribuição/donitivo a favor da causa em troca de um boneco fofo que podem levar para os seus lares, encontra-se dentro de lojas conhecidas do público ou em "shoppings", locais onde há muita gente sempre a passar.
Aqui começa a nossa tarefa: abordar as pessoa que vão passando por ali.
Explicamos o teor da campanha, sorridentemente mostramos a mascote e no final repetimos o que nos ensinaram: "Pela simbólica quantia de 5€!"
Ao fim de duas horas em pé, quando ainda faltam mais quatro para terminar o teu turno, essas palavras começam a ecoar na cabela, na alma: "Pela simbólica quantia de 5€!"
Há ainda aquelas promotoras que ao não conseguirem impingir o bonequinho, tentam desesperadamente conquistar as crianças acenando-lhes o tão maravilhoso prémio que podem ganhar se convencerem os grandes que os acompanham.
É mau, não é???
Num país que o indíce de desemprego aumenta todos os dias, onde as pessoas andam desesperadas e a sofrer por terem que contar a toda a hora os trocos, sem saberem se vão chegar para o próximo amanhã.
Entretanto neste processo de iniciativas há dinherio que ficou na mão do produtor do anúncio da campanha, há dinheiro que ficou com o fabricante e distribuidor dos brinquedos... certamente quem anda a angariar pormotoras também tem que ter a sua quota (afinal está a fazer o seu trabalho)... os sites de emprego muito provavelmente também ganham o seu.
As promotoras, apesar de não serem pagas justaemnte, também recebem o seu ordenado e/ou comissões... os parceiros das campanhas não pagam impostos porque patrocinam uma nobre causa.
E o que efectivamente vai para a causa?
Alguma coisa deve calhar para a causa.
Mas como percebem, para se realizar uma campanha desta existe montada uma máquina de fazer dinheiro, e que antes de reverter a favor da causa, enche primeiro muitos outros bolsos.
Em vez de se fazer tantas campanhas para "ajudar" os mais carenciados, as instituições de acolhimento e unidades hospitalares, porque não se investe logo o dinheiro onde efectivamente é preciso sem se embelezar esta treta toda, e sem abusar da palavra solidariedade?
E no topo das obrigações morais e éticas, encontra-se outra máquina que para além de gerar riqueza, devia gerar qualidade de vida aos seus cidadãos, o Estado é o primeiro a ter obrigações para com os mais deprotegidos, os que mais precisam...

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