por: Ricardo Martinez (sociólogo)
07-08-2007
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"Ainda sobre a época de veraneio, apraz-me recordar que a mesma nos ajuda a retemperar forças, nos possibilita reforçar laços familiares, nos motiva a partilhar tempos de lazer ou visitas a parentes mais afastados mas nem por isso esquecidos.Contudo, há neste país de apenas 10 milhões de habitantes, menos que a população de Londres ou de Paris, mais de 10 mil crianças que estão institucionalizadas, que se vêem privados de exercer estes direitos porque não têm famílias ou estão afastadas das mesmas por motivos da sua segurança.
Para estas crianças, que estão pressupostamente à protecção do Estado, que são “Filhos do Estado”, não existem laços a reforçar nem actividades de lazer a partilhar em família.
Todos nos comovemos com a sua sorte, ou falta da mesma, mas pouco fazemos colectivamente para alterar a situação.
Por isso, é de louvar o projecto “Famílias de Afecto” desenvolvido em Braga, que envolve 110 famílias e 40 crianças. É pouco, bem sei, mas é um bom exemplo e mostra como nós, portugueses também somos capazes do melhor.
Por outro lado, é importante não nos esquecer dos que se batem frontalmente contra a interrupção voluntária da gravidez e dos que “moralmente” se opõem a uma intervenção médica junto das “mães parideiras” (as que produzem crianças em série para depois as abandonarem, deixando-as em instituições ou “dando-as” para adopção, cujo número não é insignificante nem desconhecido), mas que nunca os vemos envolvidos neste projectos.
Na prática, tais pessoas são defensoras dos fetos, que acreditam que estes são seres vivos, bem são defensores intransigentes dos direitos de procriação de todas as criaturas, nestas incluindo as tais mães parideiras, mas que se esquecem que a defesa de tais direitos, tais como os fetos, permitem que se gerem crianças que depois, abandonadas, viverão situações de angústia que carregarão toda a vida, projectando muitas vezes as mesmas situações nos seus descendentes, num ciclo por vezes difícil de quebrar.
Por tudo isto, é importante aproveitar o verão para também reflectimos sobre a nossa maneira de agirmos colectivamente e de como pessoalmente nos implicamos na vida colectiva do nosso país."
Para lerem texto integral consultar: http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=9590
